Discoespondilite, uma experiência inesquecível
Imprimir esta página

A Discoespondilite (osteomielite intradiscal) é uma infecção causada por bactérias que provoca lesão na coluna vertebral, discos intervertebrais e tecidos adjacentes. Causa dor intensa e, dependendo da vértebra afetada pode haver rigidez, tetraparesia ou paresia e paraplegia.
Os primeiros estudos apontavam o Staphylococcus aureus como agente causador, contudo, um patógeno canino foi recentemente identificado, o Stafilococcus intermedius. As bactérias ou fungos em geral, entram na corrente sanguínea através dos abcessos dentários, feridas, doenças que diminuem a imunidade do animal, pelas vias aéreas (pulmão) ou mesmo decorrente de outras infecções, principalmente vindas do trato urinário e endocárdio. Uma infecção muito comum que pode levar a discoespondilite é a Brucelose, mais comum em animais de sítios e fazendas.
Cães de raças grandes e machos são mais propensos a contrair a discoespondilite, podendo acontecer em qualquer idade. É raro em gatos, mas pode ocorrer osteomielite vertebral, sem acometimento dos discos, decorrente de ferimentos externos. A doença acomete mais frequentemente a região tóraco lombar ou lombar.
Depressão, anorexia e febre representam o sinal de alerta. A seguir surge uma dor muito intensa na região atingida, podendo ter alterações neurológicas em decorrência dessa inflamação local, como paralisia dos membros e dificuldade de locomoção.
O diagnóstico de discoespondilite é obtido geralmente através de raios-X, porém a tomografia computadorizada pode evidenciar aspectos de lise e remodelamento ósseo com maior e melhor definição e precocidade não alcançadas com radiografia convencional. No exame clínico deve-se procura sinais clínicos como sopro, pois endocardite pode ser a fonte da infecção. Nos exames laboratoriais pode ocorrer no Hemograma: leucocitose e neutrofilia, a urinálise pode detectar foco de infecção (cistite).
O tratamento envolve a antibioticoterapia agressiva e prolongada baseada nos organismos mais comumente envolvidos ou no resultado das culturas. É importante manter o animal em repouso absoluto para evitar fraturas patológicas.
Estou relatando sobre esta doença porque recentemente enfrentei o desafio de salvar o meu pastor alemão, o Twguio, que esta com dez anos desta infecção. Os primeiros sintomas surgiram durante o carnaval, o que dificultou muito o atendimento.
Ao consultar a primeira veterinária, numa clínica onde trabalham quatro veterinários, foi diagnosticado que ele estava com cinomose e erliquiose e, a melhor opção seria a eutanásia devido à idade dele. Não aceitamos esta indicação, ela então, receitou uma medicação que foi incluída no valor da consulta. Tivemos a iniciativa de levá-lo em outra clínica veterinária. Lá chegando, o outro veterinário identificou esta infecção, mencionando que a medicação indicada pela veterinária anterior, à base de corticoide iria agravar a situação. Ele ficou internado por dez dias, mas estava totalmente paralisado da cintura para baixo.
Devido às dificuldades apresentadas para realizar as necessidades fisiológicas, falta de apetite e condição para continuar vivendo sem se locomover, fui incentivada por muitas pessoas a realizar a eutanásia. Mas meu marido foi implacável, jamais iriamos praticar este ato. O sofrimento dele foi muito grande durante o período de vinte e um dias, sendo que a medicação correta foi realizada durante seis semanas.
A luta foi muito grande, mas teve um final feliz. Nós investimos todo nosso amor e dedicação e, após sessenta dias ele este está totalmente recuperado, caminha e se alimenta muito bem.
Quero deixar registrado aqui este depoimento, pois descobri que discoespondilite pode ter cura. A eutanásia indicada na primeira clínica veterinária demonstrou falta de ética, de moral e de conhecimento cientifico, ou seja, eles tem um protocolo escolhido para realizar o atendimento, não respeitando a vida do animal e, muito menos o sentimento dos tutores. Para os veterinários daquela clínica, a eutanásia é a solução quando desconhecem a causa do problema.
O Twguio não estava com cinomose e muito menos erliquiose, e sim com discoespondilite. Tomara que outros animais não sejam vítimas de profissionais que atuam sem o mínimo de responsabilidade e, praticam a eutanásia em animais que ainda tem uma longa vida pela frente.

 !   Vininha F. Carvalho


Jornalista, administradora de empresas, economista e ambientalista, atuando como defensora do direito dos animais. Atuante em projetos com enfoques social e ambiental. Presidente da Fundação Animal Livre. Editora da Revista Ecotour e do Portal Animalivre

Fonte: www.revistaecotour.com.br
e
http://animallivre.blogspot.com.br/

Comentários

Outros artigos publicados:

É preciso reduzir os impactos dos pássaros nas edificações
Cão guia, sinônimo de fidelidade no caminho dos deficientes visuais
O compromisso da notícia com a defesa dos direitos dos animais
Iniciativa visa promover ações positivas em favor dos animais
Mitos e verdades sobre os pássaros
Brasil ganha primeiro cachorro sintético para aulas de veterinária que elimina sacrifício animal
Aprovado, projeto de lei obriga monitoramento de vídeo em pet shop
Médicos veterinários alertam sobre surto de leishmaniose
Saiba o que fazer em casos de intoxicação