Reserva Biológica União

Histórico

As terras que deram origem à Reserva Biológica União são as mesmas que integravam o imóvel rural "Fazenda União", cujo proprietário no século XIX era o Sr. Joaquim Luiz Pereira de Souza, pai de Washington Luís, que foi Presidente da República Federativa do Brasil no período de 1926 a 1930. A área foi também propriedade da Companhia Inglesa "The Leopoldina Railway Company Limited", que a adquiriu em 1939 para fonecer lenha nativa para as antigas locomotivas movidas a vapor. Com esse mesmo objetivo foram realizados os primeiros reflorestamentos com eucaliptos na fazenda, visando o abastecimento de lenha, em face da devastação florestal que já estava ocorrendo. Isso explica a presença de 220 ha de eucaliptos no interior da Reserva Biológica União. Posteriormente, na década de 50, devido à grave crise financeira que atravessava, a Companhia Inglesa passou para o domínio brasileiro. Para operacionalizar o transporte ferroviário sob o domíniol estatal, foi criada em 1957 a Rede Ferroviária Federal (R.F.F.S/A), que, porconseguinte, ficou responsável pela administração da Fazenda União. Com a mudança da fonte de energia que movia as locomotivas, de vapor para óleo combustível, os plantios de eucaliptos passaram a ter como objetivo a produção de dormentes, que são peças de madeira onde os trilhos da ferrovia são apoiados e afixados. esse objetivo permaneceu até 1996, sendo a produção de dormentes a principal atividade da Fazenda União. Em 1994 a Fazenda União recebe as primeiras famílias de micos-leões dourados, oriundas de pequenos e ameaçados fragmentos de Mata Atlântica. A presença dos micos-leões dourados na área e sua extensa e bem conservada Mata Atlântica, tornou-a prioritária para conservação. Com o processo de privatização da R.F.F.S/A, iniciado em 1996 pelo governo Federal, as Fazenda União é colocada à venda, gerando uma grande mobilização da comunidade científica nacional e internacional, ONG's, Instituições Públicas na área ambiental e ambientalistas de várias nacionalidades, para que a área fosse protegida em forma de Unidade de Conservação.
No dia 22 de abril de 1998 o vice-presidente da República, Marco Antônio de Oliveira Maciel, assina o Decreto de criação da Reserva Bilógica União, com o objetivo de assegurar a proteção e recuperação de remanescentes da Floresta Atlêntica e formações associadas, da fauna típica, que delas depende, em especial o mico-leão dourado (Leonthopithecus rosalia). A Reserva Bilógica União - REBIO União, Unidade de Conservação do Grupo de Proteção Integral, é adminstrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. Está localizada na região da baixada litorânea do Estado do Rio de Janeiro, nos municípios de Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Macaé, distante 160 Km da capital do Estado,
na Rodovia BR101, Km 185 - Rocha Leão - Rio das Ostras/RJ.

Vegetação

A formação nativa da vegetação da Reserva Bilógioca União é caracterizada como Mata Atlântica de Baixada (36%) e Mata Atlântica de Encosta (47,1%), ambas em bom estado de conservação. A floresta de eucaliptos encontrada no interior da Reserva corresponde a 8,6% de sua área. Essa floresta exótica foi introduzida antes da criação da Unidade de Conservação - UC e será substituída pela vegetação original: a Mata Atlântica. Foram registradas na formação nativa da vegetação 249 espécies arbóreas, distribuídas em 45 famílias. As famílias com maior número de espécies foram Myrtaceae, Lauraceae e Sapotaceae. Nesta lista destacam-se o Jequitibá, a Massaranduba, a Sapucaia, a Braúna, o Vinhático e o Palmito Jussara. É também abundante a ocorrência de Bromélias, Orquídeas e Cipós, que podem ser facilmente observados no tronco das árvores. Estudos apontam a Reserva Biológica União como a maior riqueza e diversidade vegetal entre todos os remanescentes estudados na Mata Atlântica do Rio de Janeiro.

Fauna

A Reserva Biológica União conserva uma rica fauna típica de Mata Atlântica, incluindo algumas espécies endêmicas e ameaçadas. Ela abriga uma das maiores populações silvestres de mico-leão dourado (Leonthopithecus rosalia), que representa 20% de toda a população que vive hoje na natureza. Essa população é de fundamental importância para a conservação desta espécie de primata, endêmica da Mata Atlântica costeira do estado do Rio de Janeiro e ameaçada de extinção.

Dentre os mamíferos de médio e grande porte destacam-se como ameaçados de extinção as espécies Preguiça-de-Coleira (Bradypus torquatus), Lontra (Lutra longicaudis), Jaguatirica (Leopardus pardalis), Onça parda (Puma concolor), dentre outras. Embora não ameaçados de extinção, mas igualmente importantes para a manutenção do equilíbrio ecológico ocorrem também na Reserva: capivara, paca, porco-do-mato, cotia, tatu, quati, gambá, cachorro-do-mato, macaco-prego, tamanduá-mirim, dentre outros.

Com relação aos morcegos, três espécies são consideradas localmente raras e uma encontra-se na lista de fauna ameaçada de extinção do Estado do Rio de Janeiro. A reserva possui também uma avifauna expressiva, dependente principalmente do ambiente de Mata Atlântica de baixada e de encosta. A lista das aves registradas para a Reserva Biológica União compreende 225 espécies.

Destas, 18 são consideradas ameaçadas de extinção no Estado do Rio de Janeiro, 7 constam igualmente com o ameaçadas em nível nacional e internacional e 28 são endêmicas do bioma Mata Atlântica. Em função disso a Reserva Biológica União foi incluída no mapeamento de áreas-chave para a proteção de aves endêmicas, raras e ameaçadas de extinção.

Destaca-se também uma grande variedade de espécies de peixes, anfíbios, répteis e insetos, que necessita ainda de estudos para ser melhor conhecida.

Recursos Hídricos

As águas na área da Reserva são drenadas através de três Bacias de drenagem: Bacia do Rio Macaé, Bacia do Rio São João e Bacia do Rio das Ostras. O Rio Purgatório tem sua nascente na área da Reserva e deságua no Rio Macaé. A Reserva contibui ainda para a formação do Rio Dourado e do Rio Iriry. O primeiro flui suas águas para o Rio São João e o segundo para o Rio das Ostras.

Educação Ambiental

Sensibilizar para questão ambiental e promover atitudes de respeito e proteção aos recursos naturais da Unidade de Conservação e da região onde a mesma está inserida, são os propósitos do Programa de Educação Ambiental da Reserva Biológica União. Para alcançá-los é importante desenvolver em parceria atividades que estejam em consonância com o meio ambiente e que possam ajudar a melhorar a qualidade de vida das populações vizinhas. Nesse sentido, o Programa de Educação Ambiental está calcado no desenvolvimento de ações externas e internas à Reserva. Para proporcionar uma maior interação entre a Reserva União e as comunidades do entorno, foi desenvolvida dentro da Unidade de Conservação uma trilha interpretativa e construído um Centro de Vivência. Estas estruturas funcionam de forma integrada na recepção de grupos organizados com objetivos educacionais. Para conhecer a "Trilha Interpretativa do Pilão", bem como utilizar o Centro de Vivência, é necessário agendar previamente, com a Equipe de Educação Ambiental da Reserva Biológica União, de segunda à sexta-feira de 8h00 às 17h00.

Promova algumas atitudes de respeito ao meio ambiente

  • Não provoque incêndios florestais. Eles contribuem para a degradação da qualidade ambiental e redução da biodiversidade;
  • Não compre, não cace, desestimule caçadas. Não apreenda e nem mantenha em cativeiro animais da fauna silvestre;
  • Preserve as nascentes e matas ciliares e jogue lixo no local adequado. Evite consumir produtos retirados irregularmente de nossas áreas naturais e incentive o consumo de produtos ecologicamente corretos. Denuncie agressões ao meio ambiente;
  • Colabore e participe de campanhas e atividades em defesa da natureza na sua comunidade;
  • Participe da defesa da Mata Atlântica com ações simples do dia-a-dia. Protegendo a floresta, ela se recicla e mantém uma infinidade de formas de vida.

Contato

Tel: (22) 2777-1115/2777-1113
E-mail: rebiouniao@icmbio.gov.br
Website: www.icmbio.gov.br